quinta-feira, 7 de maio de 2009

A obra de arte na era digital

Com o advento da internet, aumenta, nos últimos anos, a preocupação com a esfera da autenticidade da obra de arte. A tentativa de valorar e reafirmar seus princípios fundados na tradição como condição primeira de perpetuá-la é seguida também do conceito de áurea. Essa atualização é permitida graças à evolução tecnológica que acompanha os grandes períodos históricos, possibilitando uma leitura mais perceptível da obra de arte, saindo do âmbito individual de apreciação ritualística para o âmbito coletivo e político. O seu fundamento teológico, de um valor de culto, passa a ter um valor de exposição.
No caso específico da literatura, a tentativa de fundi-la com a internet se torna, para muitos, uma obsessão. O uso de ferramentas digitais pode não somente divulgar os textos de forma linear, como também revolucionar o próprio ato de narrar. Partindo desse contexto, surge uma dúvida ligada à tradição: seria possível, então, trilhando esse caminho, chegar a uma obra prima? Tal questão pode intrinsecamente estar ligada à idéia de áurea, e, sua resposta pode ter um direcionamento muito simples, chavão até, que é o de que o objeto texto, independentemente do seu meio de divulgação, jamais se tornará obsoleto, ou seja, nada pode impedir que novas formas de contar histórias ganhem vida própria, sem necessariamente excluir as já existentes.
O aparecimento das novas tecnologias da informação talvez seja o que permite uma melhor classificação e reorganização do trabalho artístico. Quanto à literatura, por exemplo, o que existe é uma LITERATURA como um todo, e não especificamente uma literatura digital e outra não digital. O digital funcionaria assim como mais um apoio para a sua divulgação, arquivamento, editoração, leitura, consulta, análise, transformação em discurso interativo e inclusive para a sua comercialização, independentemente de seu valor estético ou não. A sua exposição no meio digital é que, através de uma seleção temporal, possibilitará sua auto-afirmação como boa ou ruim, isso poderá definir ou excluir sua áurea e o seu caráter ritual. A intenção grega de definir e estabelecer valores eternos para uma determinada obra será acompanhada não mais apenas pela apreciação de um grupo elitista, mas pelo processo de democratização
Acredito na possibilidade de emancipação da obra de arte, que sairá cada vez mais de seu contexto ritual através da facilidade da exposição. Os valores, os conceitos nunca foram e jamais serão estanques, visto que o aparelho possibilita ao homem contemporâneo ainda mais dinamicidade e interação. Finalmente, através da máquina, como afirmou Walter Benjamin, “a auto-alienação humana encontrou um aplicação altamente criadora”.
Azevedo_77

Stumble Upon Toolbar

Nenhum comentário:

Postar um comentário